Mapeamento de fluxo de valor: o que é e como aplicar o VSM

Gerenciamento de Serviços

Mapeamento de fluxo de valor: o que é e como aplicar o VSM

Renê Chiari
Escrito por Renê Chiari
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Mergulhar nos processos produtivos da empresa, entendendo o que dá certo e o que não dá, é uma missão dos gestores de negócio. Afinal, uma das principais metas de sua atuação é a otimização processual, encontrando e eliminando gargalos durante a jornada de fabricação ou desenvolvimento de um produto, serviço ou aplicação. A boa notícia é que há uma forma de conduzir essa avaliação de forma assertiva: com o mapeamento de fluxo de valor (VSM).

Não é raro, no caso de empresas que tentam reformular seus processos produtivos com metodologias ágeis, ver um resultado final negativo. Em muitos casos, o objetivo de otimizar não é cumprido. Na verdade, a má condução dessa transformação tem um potencial extremamente destrutivo, passivo de aumentar custos e a ineficiência interna.

Com isso, o valor da sua solução para o cliente só cai — bem como seus resultados.

E é justamente neste ponto que o mapeamento de fluxo de valor (VSM) foca. Trata-se de um fluxograma que deve ser montado levando em conta seus processos produtivos, com intuito de servir de mapa para sua melhoria.

Para entender mais, continue a leitura deste conteúdo!

E se você quer complementar seus conhecimentos de gestão, especialmente antes de entrar na melhoria dos processos, venha entender o que é Governança de TI em nosso conteúdo complementar!

O que é mapeamento de fluxo de valor (VSM)?

O que é mapeamento de fluxo de valor (VSM)?

O mapeamento de fluxo de valor (VSM, do inglês, Value Stream Mapping) é método estratégico, bem como uma ferramenta, para ilustrar o processo de entrega de um produto. Ou seja, da origem até a entrega, de forma macro.

Neste fluxograma, todos os processos que compõem essa jornada são descritos.

Ou seja, numa desenvolvedora de aplicativos: do surgimento da ideia até colocar a aplicação no ar. 

Ou ainda, em uma fábrica: do momento em que a matéria-prima ou insumos chegam no estoque até à entrega da máquina no cliente.

O mapeamento de fluxo de valor, portanto, busca abraçar todas as áreas, responsáveis e equipes envolvidas, desenhando com exatidão os processos que resultam na entrega de valor ao cliente.

Recorrente em ambientes que aplicam metodologias enxutas e ágeis, o mapeamento de fluxo de valor busca organizar todo andamento dos processos de forma bastante visual. Um sistema de símbolos é utilizado, com muitas variações.

Por isso, estudar o VSM é uma alternativa muito válida para quem busca implementá-lo na empresa.

Por que usar um mapa de fluxo de valor?

O fluxograma VSM serve para que empresas entendam seu processo produtivo de um ponto de vista bem relevante: o do cliente. Ou seja, ele busca oferecer a perspectiva do que agrega ou não agrega valor à entrega.

Com isso, é possível encontrar desperdícios e eliminá-los, bem como pontos de melhoria que acrescentem valor final à soluções ou produto entregue.

No fluxograma, os itens mapeados são organizados de acordo, justamente, com seu valor para o cliente.

Ao realizar o mapeamento de fluxo de valor, você encontrará itens que se enquadram na seguinte hierarquia:

  • Que geram valor;
  • Que não geram valor, mas continuam sendo importantes;
  • E os que não geram valor e não são importantes para a qualidade final da entrega.

O intuito é, além de entender o momento atual de desenvolvimento e entrega de um produto, observar quais itens devem ser retirados, tornando o processo inteiro mais enxuto.

Com isso, na área de tecnologia, por exemplo, é possível observar um ganho significativo na eficiência geral das operações. Com menos intervenções, as aprovações costumam correr de forma mais ágil — e a assertividade geral só aumenta, o que reduz a taxa de retrabalhos.

Em outro cenário na área de TI, é possível ver o VSM aplicado antes de uma empresa realizar uma compra de outra por conta de um produto que queira agregar.

Com o mapeamento de fluxo de valor, a empresa terá em mãos um mapa que descreve o estado futuro ideal dos processos produtivos, indicando a real viabilidade da aquisição, bem como seu custo x benefício, lucratividade e etc.

Como elaborar um mapa de fluxo de valor?

Como elaborar um mapa de fluxo de valor?

O mapeamento de fluxo de valor depende de uma execução precisa de algumas etapas. 

Como falamos de um fluxograma calcado no geração de valor, ele deve ser feito com total atenção dos responsáveis, bem como partir de uma leitura aprofundada dos processos atuais na empresa.

1# Definição da equipe e escolha do produto/solução

Escolha um produto cujo desenvolvimento apresente pontos críticos e cuja resolução deve ser urgente e definitiva.

O desenho do processo deve levar em conta todas as partes envolvidas, portanto, chame integrantes das mais diversas camadas estratégicas, gerenciais e também operacionais. Aqui, você também define um líder para gerenciar o mapeamento de fluxo de valor.

2# Observe o fluxo de produção atual

Como mencionamos, o mapeamento de fluxo de valor deve considerar o processo atual. Portanto, observe como a produção ou desenvolvimento da aplicação é feita. Para garantir que é o correto, refaça o percurso ou mesmo parta do fim até o começo.

Assim, é possível captar um maior nível de detalhes.

3# Crie o mapa do processo atual

É quando o VSM começa a tomar forma: você e sua equipe vão criar o fluxograma, com base nos símbolos, do jeito que ele é atualmente.

Essa é uma etapa que depende do trabalho manual e engajamento.

Procure também descrever os detalhes mais importantes observados, como tempo de trabalho em cada etapa, quantidade de funcionários desejada, o tempo médio desperdiçado (por motivos X ou Y), etc.

4# Avalie o mapeamento de fluxo de valor atual

Avalie o VSM atual

Com o VSM em mãos, é hora de sentar e analisá-lo.

Procure por pontos críticos de desperdício, que emperram a produtividade. É preciso entender, também, onde agir para reduzir as perdas e atrasos (a empresa deve apostar em novos softwares? É preciso reorganizar os arquivos? É necessária mais mão de obra?).

Esses pontos são demarcados no mapa com um símbolo chamado de “kaizen burst”.

E lembre-se: tudo do ponto de vista do cliente. Portanto, o que mais agrega valor a ele!

5# Desenvolva o VSM ideal

Com os pontos kaizen identificados, é hora de realizar o mapeamento de fluxo de valor ideal. Ou seja, já com as melhorias sugeridas implementadas no passo anterior!

6# Crie o plano de ação

O plano de ação se trata do seu planejamento estratégico para que o VSM atual se torne o VSM ideal desenhado. Por isso, é preciso ter arquitetar muito bem as mudanças e otimizações, conversando com toda gerência e apresentando os possíveis resultados. Além disso, é no plano de ação que você definirá métrica para medir o andamento dessa transformação, bem como seus resultados e impactos.

Interpretando o mapa de fluxos: exemplos e livros indicados

Para novatos, interpretar um mapeamento de fluxo de valor pode ser complicado. São vários símbolos relacionados, com diferentes significados.

Abaixo, um exemplo retirado do livro  “Aprendendo a enxergar” (Mike Rother e John Shook), de 2012. Confira o e-book na Amazon.

Exemplo de mapeamento de fluxo de valor

Outra referência bastante elogiada é o livro (em inglês) “Value Stream Mapping: How to Visualize Work and Align Leadership for Organizational Transformation” (Karen Martin e Mike Osterling), de 2013. Acesse o link na Amazon e garanta sua cópia.

Conclusão

Um aspecto essencial da aplicação de uma metodologia enxuta, como o Lean IT, se for na parte tecnológica, é a estruturação disso. Na teoria, tornar o processo de desenvolvimento de uma aplicação é muito bacana… Mas e a operacionalização disso?

É aí que entra o mapeamento de fluxo de valor, como ferramenta essencial para uma leitura apurada do seu negócio e também capaz de prever um cenário futuro.

Ou seja, uma forma de aplicar na prática o que a teoria das metodologias enxutas buscam.

E se você quer se aprofundar no assunto, deve saber que o ITIL4 é uma das certificações mais valiosas para quem busca entender tudo sobre gerenciamento de serviços de TI. É por isso que a ITSMNaPrática criou a Jornada ITIL4. Conheça e inscreva-se!

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