Rotatividade: pare de correr atrás do rabo e resolva essa pendenga!

Tempo de leitura: 4 minutos

Li mês passado uma lista feita pela empresa ManPower.

Foi publicada pela revista Exame e apresentava as carreiras onde é difícil encontrar profissionais competentes.

O link é (tá em português, vai frouxo!):

Nestas carreiras é mais difícil achar profissionais competentes no Brasil

Entre coisas já sabidas como vendedores B2B e tal, em TI estavam listadas as carreiras de especialistas em segurança cibernética, administradores de rede e suporte técnico.

Opa, pessoal de suporte técnico?

Programador de sistemas não? DBA não?

Mas Suporte Técnico? Falta gente?

Falta. Infelizmente.

Por incompetência de nossos senhores gestores de suporte técnico.

Explico

No Brazil a profissão de suporte técnico é notoriamente desprezada.

Ela é preenchida por profissionais bem jovens, todos ou a) em busca de um trampolim para outras áreas (desenvolvimento de aplicativos, segurança, etc.) ou b) apenas pagando sua faculdade de filosofia, letras ou situações similares.

O curioso é que no mundo da produtividade — EUA — existem muitas cabeças brancas trabalhando em suporte técnico.

Lá as empresas sabem que naturalmente é mais lucrativo pagar um salário alto e ter alguém que resolva de uma vez os problemas, tenha experiência com o negócio, além de contar com razoável competência interpessoal na lida com os usuários.

No Brazil, de maneira oposta, existem, conforme escrevi, cabeças jovens que custam muito mais para as empresas por diversos motivos: precisam de treinamento no produto, em competências interpessoais (mas eu não posso reclamar, ganho dinheiro assim, hahaha), no negócio e até da cultura da empresa.

E dado que recebem um salário baixo, logo saltam para outro cargo/oportunidade e assim o ciclo de despesas recorrentes é reiniciado (recrutamento, seleção, treinamento, etc.).

E qual a decisão da empresa?

Decide pagar ainda menos, pois o gestor “mordido” por experiências passadas, sabe que o sujeito irá embora (sic, em vez de aumentar o salário do cara!) em pouco tempo.

Essas burras decisões recordam-me uma decisão da Inglaterra em sua colônia Índia.

Havia muitas despesas com pessoas hospitalizadas em função de picadas de cobras.

Para diminuir a quantidade delas, a Coroa decidiu pagar uma grana por cada unidade capturada e morta.

Logo, logo, alguns espertalhões se deram conta que era um bom negócio criar cobras. E eis que faturavam horrores sobre isso.

Quando a metrópole se deu conta disso, cortou os subsídios por cobra entregue. O que aconteceu? Os criadores ao verem mixar seu negócio, jogaram todas as cobras fora.

E o resultado foi que existiam então mais cobras nas ruas do que antes e consequentemente mais gente hospitalizada.

Pois vejam a indecência resultante da conclusão da ManPower: é difícil contratar gente competente para o suporte. E por quê? Por que os profissionais realmente não existem.

Ou as empresas transformam o melhor técnico em gestor, seduzindo-o a permanecer mais tempo na firma ou…

Os melhores picam a mula” para outras esperanças melhores.

O círculo vicioso se estabelece simplesmente por que o gestor não sabe administrar.

E pior:

Em vez de aprender a administrar, ouve o flautista de Hamelin e segue atrás de livros e cursos sobre liderança.

Ora pois, se soubesse convencer seus chefes a implantar um plano de carreira na área de suporte, a pagar mais, oferecer mais treinamentos, etc. teria um futuro melhor.

Isso faria com que a “expectativa de vida” do profissional de suporte fosse a maior possível dentro da empresa.

Mas como olha pro lado errado, o que faz?

Vale o ditado: “Se você acha que o problema está ruim agora, espere até nós o resolvermos“.

  • Oferece cada vez menos treinamento — ou paga 30% do curso, hahaha, por que se pagar 100% o sujeito fica mais qualificado e vai embora
  • Enfia os caras no quintal — empresas com sedes em casas colocam o suporte no que antes era uma garagem
  • Torce para que sejam indolentes, preguiçosos (e esperançosos?) e permaneçam algum tempinho a mais na firma

Então vamos lá — Benjamin Franklin disse que se quiser convencer alguém, fale de interesses em vez de apelar para a razão: para você se dar bem na profissão de gestor de suporte, ser mais valorizado e ganhar mais, a forma de resolver essa pendenga é:

  1. Aprender mais sobre gestão
  2. Aprender mais sobre economia
  3. Aprender mais sobre estatística
  4. Explicar — em linguagem de negócio — para a empresa os prejuízos diretos — as despesas que citei anteriormente — quando alguém vai embora do suporte (os indiretos são a perda de clientes, o surgimento de conflitos onde não precisaria existir, etc.)
  5. Pagar mais
  6. Treinar mais (lembre-se de mim, hein?!)
  7. Somente então aprender algo sobre liderança ou coisa parecida

Capisce?

A primeira parte eu posso ajudar, venha — no Rio/setembro ou em São Paulo/outubro — no meu curso de Gestão de Serviços de Help Desk e Service Desk.

E no item 5 — TREINAR MAIS, aviso os conterrâneos pampianos que dia 31 de agosto em Porto Alegre ocorrerá o curso Formação do Analista de Help Desk e Service Desk.

See you, my friends.

EL CO

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