HDI Brazil, o Célio e o quarto chinês

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Lacei as três figuras do título sem necessitar de muita criatividade.

Uma perambulação que acontecia no meu cérebro há algum tempo.

Lá está, a hora de escrever (mas eu estava em Arraial d’Ajuda, precisei esperar meu retorno pra isso).

A entidade HDI Brazil

Ninguém desconhece o HDI Brazil (com zê por que moro no Rio Grande do Sul e grafamos assim nomes de países estrangeiros conforme nosso periódico nacional online): é um conhecido propulsor de conhecimento no país.

Assim como todos nós, porém, sofre diante das mudanças culturais e tecnológicas.

Como Zygmunt Bauman diz, a sociedade líquida nos afeta: ocorrem transformações em demasia para conseguirmos lidar com elas (não é bem isso, mas minha interpretação é). Ou “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.”.

Assim-assim, vem o HDI fazendo sua adaptation ao oferecer cursos de forma online; um ajustamento, é vero, mas não suficiente para sua grandeza.

De outro lado, a comunidade de suporte técnico que ele provê de conhecimento e eventos, não o retroalimenta de ideias.

E é assunto irrefutável que os pontos tradicionais de ebulição de reflexões de nossa comunidade costumam ser nos eventos HDI. Quanto mais gente próxima, mais trocas acontecem.

Identifico uma delas: escrevi um livro graças a uma faísca produzida por Giuliano Machado em sua palestra sobre Gamification. Duvido que muitos outros conversando com colegas não implementaram novidades em seus softwares, realizaram mudanças em sua corporação, etc. graças a tais epifanias estaladas nos congressos HDI.

Ah, o Célio de Souza

O Célio, por outro lado, é o contrário: sufoca-se de tantas ideias recebidas.

Diretor da empresa que desenvolve o Desk Manager, criou um grupo Whatsapp sobre Customer Success que diariamente produz uma avalanche de mensagens; o grupo é um gêiser de jatos permanentes (ia fazer uma analogia com outro conceito que semeia vidas novas, mas daí ia ser pesado por demás, hehe).

Diante de uma análise das duas centenas diárias, apura-se 10% com viés interessante, o que já é algo fabuloso.

Talvez essa produção de pensamentos e opiniões seja fruto da forma de ingresso: apenas um ADD no grupo.

Já a retroalimentação no HDI depende muito de pertencer a um “board”, uma elite, um conjunto de profissionais que deliberam as demandas da nossa comunidade (mas já se vê hoje, talvez seja um modelo ultrapassado).

Célio é um sujeito esperto (um mérito para quem deseja ser seu cliente, hehehe; ao menos, não empatará seu casamento cliente-fornecedor com um diretor apático): não faz publicidade no grupo e o gerencia de forma quase imperceptível.

Usar a expressão gerenciar é quase um exagero por que a boiada não se mantém dentro do cercado — eles inexistem —, de maneira que vai para qualquer lado, tudo dependendo da última mensagem postada.

Do quarto chinês

Ah é, faz parte do título.

Essa ideia vem do filósofo John Searle e o excerto abaixo vem da Wikipedia:

Imagine-se que existe um programa para falar chinês que o faça tão bem como qualquer falante nativo de chinês e, portanto, indistinguível destes nesta habilidade (Que passasse então o Teste de Turing para falar chinês).

Imagine-se, que um de nós que não saiba falar chinês está fechado num quarto, onde há caixas com símbolos chineses, um grande livro em português, onde está escrito o programa de computador para falar chinês, e uma entrada no quarto, para os inputs e outputs.

Nós, fechados no quarto, estamos a executar o programa de computador; de vez em quando são introduzidos no quarto uma série de símbolos, as perguntas feitas pelos falantes de chinês fora do quarto.

Ao recebê-las consultamos o grande livro, o programa, e pegando em outros tantos símbolos, fazemos as respostas chegar lá fora.

Para as pessoas fora do quarto, como estamos a implementar o fantástico programa que fala chinês, somos de facto indistinguíveis de um falante nativo, mas nós dentro do quarto não entendemos uma palavra de chinês, e segundo Searle, mesmo de pois de correr o programa, continuamos sem perceber uma palavra.

Mas, pergunta-se Searle, se nós dentro do quarto não temos qualquer compreensão de chinês, como pode um computador a implementar o mesmo programa compreender chinês?

Afinal não há nada que o computador tenha que eu não tenha; é mais do mesmo, mas mais rápido.

Vai, preguiçoso, resumo da ópera:

Eu, enfiado no quarto, dou outputs aos inputs recebidos por baixo da porta do quarto. Apenas consulto o dicionário que tenho, mas não penso a respeito, nem entendo bulhufas. Só encontro as combinações e repasso-as para fora.

Enlaçando as figuras

No grupo de Whatsapp sobre Customer Success, alguém perguntou:

Customer Success é escalável?” e meu Motorola virou uma pipoqueira: ploc, ploc, ploc, ploc de tanta mensagem chegando.

Outra: “Alguém conhece um software que me ajude a controlar…?” O som parecia o de um plástico batendo nos raios da roda da bicicleta (nunca fez isso na infância?): pléc, pléc, pléc, pléc

São respostas em chinês perfeito sem uma reflexão sobre o objetivo maior: O SUCESSO DO CLIENTE, pombas!

Enfocam o DENTRO, não o FORA. Somente a EFICIÊNCIA, não a EFICÁCIA!

E como é Whatsapp, um treco que está sempre, no máximo, a 2m de distância, ele drena a atenção. O desejo premente de ver algo muito interessante e importante e que, quiçá, catapulte nossa carreira.

Vai pra onde?

Nos boards do HDI, a quantidade de pessoas é reduzida (cabem numa sala, o grupo do Whatsapp já está em 180 personalidades e aumentando diariamente).

O debate do HDI (talvez) aconteça em alto nível e quem sabe até filosófico. Não sei, não faço parte, nem desejo fazer, mas conjecturar não é ruim e me faz bem, hehe.

Então me pergunto aqui no CU (Centro do Universo) do Mundo tomando meu chimarrão:

O que mais tem valia para nossa comunidade?

  • Centenas de mensagens diárias para filtrar 10% de qualidade e considerando os prejuízos de perda de atenção, foco, tempo, etc.? Ou pior, ler tudo no final do dia, mas chegar atrasado aos debates?
  • Ou os debates do board HDI Brazil que precisam “acertar na mosca”, caso contrário a quantidade não produzirá frutos influenciadores em nossa comunidade?

Tá…

Você pode exclamar:

“E tu com isso, Cohen? Deixa cada um seguir seu rumo, até por que não poderá influenciá-los…”

E eu respondo:

E por que não fazer isso? Por que não refletir a respeito?

Por que quando faço isso, não sou mais Zeca Pagodinho e sua música “Deixa a vida me levar…” (Sorry, Zeca, sua música virou emblema, mesmo querendo não).

Exerço minhas competências cognitivas e posso me comportar melhor em relação a cada um.

Vai aí você e experimenta faz o mesmo.

Das coisas vindouras

Right, tome nota do que vem pela frente:

See you, my friends.

Abrazon

EL Co

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *